A REVOLTA DOS STREAMERS CONTRA BAIXOS PAGAMENTOS

Essa semana, criadores de conteúdo brasileiros se depararam com a redução do valor pago pela Twitch, o que motivou um movimento no Twitter chamado ‘Apagão da Twitch’, organizado para o dia 23.08. Mas por que houve essa redução?

Para entender o motivo e as causas da redução, é importante compreender primeiramente que muitos produtores de conteúdo e streamer tem essa atividade como profissão ou mesmo dependem financeiramente da plataforma, de forma, qualquer redução afeta o dia a dia desses profissionais e familiares. Ainda, diferentemente do que muitos afirmam nas redes sociais, não é nada fácil mudar o canal para outra plataforma, pois não há nenhuma garantia que seus seguidores iram lhe acompanhar, ou seja, o produtor de conteúdo terá que começar, literalmente, do zero.

Feitas tais considerações, em julho deste ano, a Twitch anunciou uma redução regional em subs e bits para o Brasil, bem como a cobrança de inscrições em real. Melhor explicando, um criador de conteúdo consegue monetizar seu canal das seguintes formas: primeiro via inscrições de expectadores na plataforma, na Twitch o valor mínimo é de US$ 4,99,  via bit, mercadorias virtuais em forma de torcida enviadas pelos expectadores para o canal, na Twitch o valor é de US$0,01 sendo repassado apenas 80%, e as doações que são valores transferidos pelos expectadores para o canal.

Ocorre que, além da redução regional e as inscrições serem cobradas em real, apensar a justificativa da Twitch de que a mudança seria para facilitar o acesso de mais pessoas em apoiar o criador de conteúdo,  fez com que este passa-se a receber menor quantia pela plataforma, sem ressaltar a problemática ainda existente com relação à retenção tributário aplicada pela Twitch de 50% em repasses e aplicação de imposto em 30% aos produtores de conteúdo que pagam pelas inscrições.

Esse debate ainda vai longe, pois, como outras plataformas digitais, existe um crítica na forma de remuneração aos usuários pelas horas disponibilizadas para criação de conteúdo, bem como questões tributárias atinentes ao local onde o servidor da plataforma está localizado ou mesmo a constituição da empresa e o local onde o conteúdo está sendo gerado.

Em conclusão, acreditamos que essas questões são problemáticas importantes a serem debatidas de forma global entre os países e usuários, pois cada vez mais somos mais globalizados e os limites territoriais menos existentes. De qualquer modo, alertamos que, antes de iniciar um canal —  qualquer que seja a plataforma —, pesquise e entenda as políticas aplicadas para evitar qualquer expectativa frustrada.

Fonte: https://www.twitch.tv/creatorcamp/pt-br/get-rewarded/bits-and-subscriptions/

https://www.techtudo.com.br/noticias/2021/07/twitch-diminui-o-preco-de-subs-para-r-790-no-brasil-reducao-chega-a-66percent-esports.ghtml

https://www.terra.com.br/noticias/tecnologia/apagao-na-twitch-streamers-organizam-greve-de-lives-no-brasil,10dd97d386245e3d40c2852ce95de333wuch6zh4.html

https://www.theverge.com/2021/5/17/22431716/twitch-localized-subscription-prices-many-countries-not-us

Quando é o momento da aposentadoria para o pro-player?

Essa semana foi divulgado a notícia que o capitão do Vision Srtiker´s Kim Glow Min-so, o jogador Coreano de 33 anos, se aposentou do cenário dos eSports após 13 anos como jogador profissional.

Kim Glow teve uma longa carreira no Counter-Strike defendendo equipes como a Lunatic-hai e WeMade Fox, vencendo torneios como Asia Summit, ZOTAC Cup Master Asia e Extremesland zowie Asia em 2018. Após, mudou para o Valorant onde obteve uma sequencia de 100 vitórias seguidas, um recorde com 102 vitórias em 107 jogos, ainda venceu o VCT 2021 Korea Stage 1 Master.

Glow justificou a aposentadoria em depoimento no Youtube dizendo que: “Meu tempo como Jogador estava chegando ao fim e eu mesmo sentia isso principalmente em relação aos Challengers Um e aos Challengers Dois onde acabamos chocando muita gente com a nossa derrota e onde senti que meu teto como jogador estava em seu limite.”[1]

Por esse motivo perguntamos: Quando é o momento para um pro-player se aposentar? Existe um momento específico? Existe uma faixa etária? Ainda, o que fazer após a aposentadoria?

Pensando nas perguntas acima, entendemos necessária a análise de outros exemplos para um comparativo. No cenário Brasileiro, tivemos algumas aposentadorias relevantes nos últimos tempos como a de Leo “ziG”, jogador de Rainbow Six, encerrou a sua carreira aos 30 anos, sob justificativa de estava tendo dificuldade de relacionar a profissão com  a família[2], optando assim em atuar apenas como streamer. Ainda, com a justificativa de estar cansado da rotina extenuante dos treinos, Murilo “Takeshi”, ex-integrante do Team oNe de League of Legents se aposentou aos 27 anos, mas em entrevista afirmou que não irá se afastar do cenário[3].

Os casos trazidos demonstram que não há um padrão para a justificativa da aposentadoria, tratando-se, na maioria dos casos, de uma decisão pessoal do jogador. Contudo, é lógico que pode acontecer situações contrárias, em que o pro-player se vê “obrigado” a se aposentar, tais como baixa performance, desinteresse de patrocinadores  e times, entre outros. Seja por motivos pessoais ou não,  fato é que, como todo jogador, em algum momento em comparativo ao jogador de futebol, chega a hora de abandonar a chuteira, no nosso caso, o mobile, PC ou console.

Contudo, como demais jogadores de outras modalidades, a aposentadoria do pro-player ocorre numa idade muito prematura, diferente de um trabalhador comum, logo é importante que não apenas os jogadores, como também os times, treinadores e pessoas relacionadas, pensem sobre como será depois do jogo, pois a carreira é curta, mas a vida é longa e o amanhã está batendo na porta de todos nós.

Portanto, é necessário analisar as possibilidades, buscar conhecimento, estudar e se dedicar não somente ao jogo, mas também ao futuro.  Vejamos, se a intenção é continuar no cenário, mas como comentarista, treinar, streamer ou outro, é muito importante construir a sua marca pessoal, definir não apenas como profissional, mas como pessoa, garantido a continuidade dos fãs, não pelo time que atuava, mas sim pela sua personalidade, pelo trabalho que desenvolve dentro e fora do jogo. Em contrapartida, caso opte em sair do cenário, sem dúvida alguma, adquirir capacitação é essencial para inclusão no mercado de trabalho.

Você já pensou no seu futuro? Aproveite a oportunidade e reflita.


[1] https://www.youtube.com/watch?time_continue=16&v=_1mKFdOjH0k&feature=emb_logo acesso em 18.05.2021 às 15:43

[2] https://www.teamliquid.com/news/2019/05/06/o-novo-captulo-de-zig-aposentadoria-e-casamento  acesso em 19.05.2021 às 09:15

[3] https://www.espn.com.br/esports/artigo/_/id/7064446/rematch-o-que-acontece-quando-um-jogador-de-esports-se-aposenta-com-takeshi  acesso em 19.05.2021 às 09:36

Streamer X Chargeback

Streaming ao vivo nada mais é uma transmissão do jogo via plataformas. O Streamer, é a pessoa responsável pela narração e comentários do jogo, trazendo maior emoção não apenas aos jogadores como também ao público que assiste aquela “live”.

Ser um streamer de jogos eletrônicos para muitos pode ser hobby, mas para outros uma profissão, com um vasto mercado a explorar:

Streamers exclusivos: são aqueles que realizam os streamears exclusivos para organizações; times e/ou torneios podendo ser remunerado, ou receber doações dos expectadores incluindo contribuições financeiras;

Streamers autônomos:  são aqueles que realizar os streamears, mas sem possuir nenhuma exclusividade seja com o time, organização ou torneio,  estão disponíveis no mercado, podendo ser remunerado pelo contratante; receber doações dos expectadores, incluindo donativos financeiros; ou fazer o streamer de forma gratuita.

Fato é que independente da forma de trabalho, a audiência pode ser enorme, conforme a consultoria NewZoo, o mercado de audiência para “live” streamer irá alcançar 728.8 milhões de expectadores em 2021, um aumento de 10% referente ao ano de 2020.

Com esse aumento gigantesco, surgem diversas personalidades no cenário internacional e nacional, o mais conhecido para o mercado brasileiro é Alexandre Borba Chiqueta, mais conhecido como Gaules, streamer e ex-jogador de Counter-Strike, venceu o Prêmio eSports Brasil como o melhor streamer do ano e como a Personalidade do Ano, ainda foi o segundo streamer mais assistido do mundo na

Twitch[1]

Mas é claro que, infelizmente, nem tudo é fácil, isso porque, como relatado acima, uma das formas de remuneração ou mesmo recebimento pelo trabalho é através de doações voluntárias dos expectadores, ou seja, aquela pessoa que está assistindo aquela “live” ou mesmo aquele canal do streamer, e gostou , foi auxiliado ou entretido por aquele conteúdo,  pode ajudar o streamer com doações, como forma de compensação e incentivo financeiro para que ele continue realizando as suas “lives”.

Ocorre que algumas pessoas, após efetuar a doação, se arrependem ou mesmo agem de forma danosa e solicitam o estorno da quantia doada, mas vocês devem estar se perguntando:  Qual o problema nisso?

O pedido de estorno do valor doador gera o chamado “Chargeback fee” ou taxa de estorno, que é uma taxa imposta pelos bancos em um esforço para recuperar os custos incorridos ao lidar com estornos do consumidor e disputas associadas à sua conta, esses valores variam conforme a instituição bancária signatária, bem como as políticas de restituição.

A política da “chargeback” é bem conhecida pelos operadores de e-commerce, mas não para os streamers, que se depararam com cobrança de valores que sequer receberam, ou seja, além de não receber a quantia que pensava que havia ganhado por livre e espontânea vontade do expectador, agora o streamer ainda recebe uma cobrança sem qualquer motivo.

Essa confusão é consequência da falta de clareza em torno dos estornos e o ambiente abusivo criado. Isso não acontece apenas em “Lives” na Twitch, mas também em outras plataformas, logo é necessária uma movimentação por parte das pessoas prejudicadas para exigir maior clareza por parte das plataformas e instituições bancárias, visando que realizem a cobrança das taxas de estorno da pessoa correta — no caso, o doador —,  e não daquela que é mais fácil.

Você já passou por essa infeliz situação? Entre em contato conosco, estamos aqui para auxiliar a comunidade gamer.


[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Gaules  acesso em 22.04.2021 às 11:22